Rework - Jason Fried & David Heinemeier Hansson



Título: Rework - Mude para sempre o Modo como Trabalha
Autor: Jason Fried & David Heinemeier Hansson 
Tradução de: Rework

Editora: Lua de Papel
Ano: 2010
Páginas: 245

ISBN/EAN: 9-789892-310657
Avaliação < / >. :
 
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"Onde você trabalha quando precisa fazer alguma tarefa bem feita?"


As respostas para essa questão normalmente orbitam 3 tipos:
1. Um cômodo específico de um lugar - na sala, na copa, no porão, no parque...
2. Um meio de transporte - no avião, no trem...
3. Um intervalo de tempo - estranhamente algumas pessoas "fogem" do foco "lugar" para "tempo" e respondem: de manhã, no final-de-semana, de noite...

Incrível como quase ninguém responde: no Escritório (ou qualquer que seja o local de trabalho). Mas por que? 
Porque as pessoas sabem que o Escritório (ou lugar de trabalho) não é um lugar produtivo, não é um lugar onde se consegue trabalhar continuamente e focado. O local de trabalho é o local onde vamos para... sermos interrompidos! E constantemente!
Pois bem. Essa é apenas uma as inúmeras idéias dos sócios da empresa de software 37signals, Jason Fried e David Heinemeier Hansson em "Rework" apontado como um dos melhores livros de negócios de 2010, avalizado em seu prefácio por nomes como Chris Anderson, Tom Peters, Seth Godin e Tony Hsieh para citar apenas alguns.
Não tive paciência para esperar a edição brasileira (que saiu somente em maio/2012 como 'Reinvente sua Empresa') e me deu preguiça de lê-lo em inglês, portanto minha resenha se baseia na edição Portuguesa do outro lado do Atlântico, na tradução de Pedro Ribeiro. Muito legal.

Que o mundo está mudando não é novidade para ninguém. Que o consumidor está mudando, participando e cocriando cada vez mais, também não é novidade. Que o marketing também passa por mudanças também está ficando patente.


Mas existe uma outra mudança no mundo dos negócios que tem passado por nós muito silenciosa: a Administração em si. A forma como administramos as empresas do século XXI ainda segue "fórmulas" e técnicas do séc. XX, em sua maioria formuladas por pessoas nascidas no séc. XIX! Portanto a próxima "Revolução" social que viveremos será a revolução na Administração e na nossa relação com o Trabalho.


A Administração do séc.XXI vem sido estudada e teorizada por alguns pesquisadores de renome, como Gary Hamel e Vijay Govindarajan. Alguns casos de novas práticas de Administração e Organização estão aparecendo não apenas em empresas "da moda" como Google, mas também empresas menos "hype" como a norte-americana W. Gore e a indiana HCL Technologies. Essa última inclusive rendeu um livro-relato de seu CEO - Vineet Nayar ("Primeiro os Colaboradores depois os Clientes").


Bem. Nessa linha está também "Rework" que expõe novas formas de gerir empresas, principalmente as pequenas e start-ups. O livro desenvolve toda uma nova cultura empresarial, uma nova forma de encarar o tema trabalho e gestão.


Veja algumas idéias do livro:
. Não é assim tão importante aprender com os erros: o fracasso como rito de iniciação é algo ruim em nossa cultura. Fracasso não é pré-requisito do sucesso. Fracasso é apenas fracasso. Melhor aprender com o sucesso, nem que seja dos outros.
. Planejamento é mera especulação: principalmente a longo prazo. É assustador trabalhar sem um plano. Mas pior é seguir cegamente um plano irreal.
. Porque crescer?: existem muitos negócios rentáveis e pequenos. Quanto maior a empresa maior a possibilidade de não conseguir se diferenciar. Ainda mais nesses tempos de "Cauda Longa".
. Workaholics são estúpidos (e preguiçosos): herói é quem chega em casa cedo, pois descobriu formas mais eficientes e rápidas de se fazer as coisas.
. Comece pelos seus próprios problemas: quer lançar algum produto ou serviço? Comece desenvolvendo algo que seja solução para algum problema seu. Certamente vai saber vendê-lo muito melhor.
. Falta de tempo não pé desculpa: se é importante faça logo e deixe o que não é importante para depois.
. Você precisa de menos do que julga: frugalidade nos negócios nunca faz mal.
. Abra uma Empresa, não uma start-up: foco nos resultados, não no financiamento externo.
. A afinação está nos seus dedos: como dizem os bons guitarristas. Não se importe tanto com o equipamento de inicio, a sua capacidade de resolver conta mais nessa fase. Depois você consegue comprar equipamentos melhores.
. A interrupção é inimiga da produtividade: deixe seus colaboradores trabalharem onde produzam mais e melhor. Produção e principalmente criação é como o Sono: tem fases. Uma vez interrompido, para se retomar de onde se parou é necessário "voltar" algumas fases e refazê-las. Gerentes e Reuniões são os inimigos número 1 da produtividade. Não interrompa os seus colaboradores a não ser que seja essencial e urgente. Não marque tantas reuniões e com tanta gente. Reunião não é trabalho, é pausa para pensar no que trabalhar, portanto "menos é mais".
. Faça "to-do lists" pequenos: listas grandes desencorajam a terminá-las. Foque nos "quick wins", vitórias rápidas que encorajam todos a proceguir.
. Aprenda a dizer "não" aos clientes: seu produto não precisa ser o melhor do mercado. Precisa ser um bom produto a um preço justo e flexível o suficiente para poder ser adaptado. Querer encher seu produto de recursos só vai transformá-lo em um banco-de-dados de recursos. Foque no que se propõe e entregue o proposto. 
. Em reuniões com clientes, não tome nota: apenas preste muita atenção. O que realmente for importante vai lhe ser repetido tantas vezes que você vai sair da reunião com aquilo decorado. Tudo o que for anotar vai esquecer, além de não ser tão importante.
. Marketing não é um Departamento: é uma atividade como qualquer outra, só que TODOS os colaboradores são responsáveis por ela.
. Primeiro faça você mesmo: antes de contratar para uma nova posição ou terceirizar uma atividade, tente fazer você mesmo por um curto tempo. Além de aprender as nuances da atividade para depois melhor interagir com quem venha a contratar, pode ser que você descubra que não precisa de ninguém para fazer aquilo, ou mesmo que não precisa absolutamente daquela atividade. Ótima!
. Faça Test-drives com colaboradores: antes de contratar efetivamente, contrate por um projeto e prazo específicos. É no dia-a-dia do projeto você vai descobrir como é a pessoa, não na entrevista ou no currículo (normalmente fantasioso).


Enfim, "Rework" tem muito a dizer como possivelmente será a Administração e a Cultura Organizacional das empresas desse nosso século que está apenas começando.
Sem dúvida faz refletir muito. Faz também querer se preparar para esse porvir.


Excelente leitura. Altamente recomendado, principalmente para os profissionais em inicio de carreira (que terão longa jornada nesse novo contexto) ou para novos empreendedores que cedo ou tarde vão se encontrar nesse novo contexto.


Junto com 'A Arte do Começo de Guy Kawasaki, forma uma dupla de livros essenciais para quem vai começar "do nada".

O filme abaixo é uma palestra de Jason Fried (nov/10) que explica bem o conceito do livro. Infelizmente não achei nenhuma versão legendada ainda:


Rework foi escolhido o "Livro-do-ano" de 2010 pelo 800-CEO-Read, site especializado em livros de negócios. Confira os demais livros premiados.

Este livro está entre meus Recomendados sobre Start-ups. Confira a lista aqui.

Conheça também o site e o blog da 37signals.
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Um ano de Blog



Na semana que passou nosso Blog completou seu primeiro ano.... 

"Nosso" porque sem os leitores e seus sempre bem-vindos comentários, o blog não faria o mínimo sentido. 

Desde o 1o postEstratégia: "to plan or not to plan, that´s the question..." em 14/07/2010, muitas pautas, mudanças de layout, comentários, e sobretudo comentários e sugestões rolaram, ajudando a amadurecer a idéia e o conceito do blog.

Aproveito para listar os "top 10" post mais lidos nesses primeiros 12 meses:

1. Síndrome de Celacanto (disparado, o mais lido...)


Aos que colaboraram, mesmo que anonimamente, com comentários ou mesmo os que sem comentar, nos prestigiaram acompanhando e lendo, meus sinceros agradecimentos: - muito obrigado! 

Forte abraço a todos e sintam-se sempre à vontade por aqui.

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Abra uma Empresa, não uma Start-up


As Start-ups estão na moda. Todo mundo quer abrir uma, sobretudo no mercado de tecnologia. Basta ter uma idéia revolucionária e alguém para financiá-la e pronto: tem-se uma Start-up.

Uma empresa Start-up é um lugar "mágico" onde as Despesas são pagas por outros e um pequeno detalhe como Receitas não é um problema. Um lugar onde você pode gastar o dinheiro dos Outros até aprender a ganhar o Seu. Um lugar onde as "leis da física dos negócios" não se aplicam.

O problema desse lugar mágico é que é um conto de fadas, não existe. Todas as Empresas, velhas ou novas, são regidas pelas leis de mercado e pelas leis econômicas igualmente. Dinheiro entra como Receita, sai como Despesa e na diferença está o Lucro (ou Prejuízo).

Nas Start-ups tenta-se ignorar isso, ou ao menos adiar o inevitável. É ridícula a atitude do "vamos primeiro desenvolver a idéia revolucionária, depois pensaremos como ganhar dinheiro com isso". É como querer lançar um foguete e fingir que a gravidade não existe só por um tempinho. Uma Empresa sem um caminho para o Lucro, não é uma Empresa, é um Passa-tempo.

Por isso não use o conceito de Start-up como bengala. Abra uma Empresa séria, que pensa em lucro desde o primeiro dia, mesmo que o plano financeiro lhe indique lucro a médio ou longo prazos. Só não pode haver plano para lucro em um prazo inexistente ou indefinido. Não dê desculpas do tipo "somos uma Start-up, então..."

Leve o empreendimento a sério e terá chances de sucesso. Do contrário, vai ser uma eterna Start-up.

Baseado em "Abra uma Empresa, não uma Start-up" do livro "Rework" de Jason Fried & David Hansson, pág. 63.

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Twitter, Chiclete & Camisinha - Tagil Oliveira Ramos


Título: Twitter, Chiclete & Camisinha
Autor: Tagil Oliveira Ramos
Editora: Novatec
Ano: 2010
Páginas: 216
ISBN/EAN: 9-788575-222409
Avaliação < / >. : ««««

"Como construir relacionamentos e negócios lucrativos em redes sociais" diz o subtítulo.

Tagil Oliveira Ramos (@tagilramos), jornalista de TI (InfoExame, UOL, OESP, ITWeb e Valor Econômico), ensina em "Twitter, Chiclete & Camisinha" os segredos e "macetes" do Twitter para leigos. 


Em linguagem bem direta e sem jargão "tecnologuês", Tagil explica como usar o Twitter para aumentar sua rede de contatos online seja para uso pessoal ou para negócios. Serve tanto para os absolutamente leigos, pois tem em seu "Apêncice A" um passo-a-passo para abrir seu perfil e começar a "twittar", quanto para os que já usam  a ferramenta mas querem conhecer dicas e aplicativos úteis.


O livro aborda alguns casos brasileiros de empresas e celebridades, explorando o que deve e o que não deve se fazer com o seu Twitter pessoal ou corporativo.
Um bom livro. Junto com "Como acabar com sua #empresa em apenas 140 Caracteres" de Carolina Lima, forma uma dupla de livros essenciais para quem está começando no Twitter ou está administrando o perfil corporativo de uma empresa. A diferença é que Carolina estreita o escopo no uso corporativo, aprofundando mais nesse particular, enquanto Tagil aborda um escopo mais amplo. 


Recomendo ambos. Ensinam muitas coisas interessantes.


Mais dicas no blog do Autor.

J < / >.